Vaticano: melhor chegar cedo para evitar a multidão!

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Fachada da Basílica de São Pedro

Fachada da Basílica de São Pedro

A Basílica de São Pedro e os Museus Vaticanos foram os lugares mais lotados que já visitei, o que é de se esperar, pois atrai, ao mesmo tempo, turistas religiosos fervorosos e aqueles que buscam as preciosidades artísticas desses locais. Apesar de termos tido acesso a várias dicas para chegar bem cedo a fim de evitar a superlotação, resolvemos não nos preocupar com isso e seguir com o nosso propósito para essa viagem: não acordar cedo demais e não tentar esgotar os lugares, em vez disso, relaxar e aproveitar cada momento sem pressa. Porém, percebemos que a visita ao Vaticano deveria ter ficado fora desse lema. Para fazer um passeio mais tranquilo e proveitoso, valeria o esforço de acordar cedo nas férias!

Praça de São Pedro

Chegamos à Praça de São Pedro, porta principal da Cidade do Vaticano, por volta das 10 horas de uma terça-feira (junho de 2015) e a fila para entrar na basílica já contornava quase toda a parte elíptica da praça. Várias pessoas – que se intitulavam guias de turismo – nos abordaram oferecendo visita guiada com acesso rápido à basílica – por 40 euros – e disseram que, se não aceitássemos, a espera seria de cerca de 3 horas. Apesar da intimidação, seguimos para a fila. Mesmo com o dia ensolarado e quente, a espera, que durou “apenas” 45 minutos, não foi tão sacrificante, pois possibilitou apreciar a beleza arquitetônica do local.

A Praça de São Pedro é majestosa. Pra mim, esse é o adjetivo que melhor a descreve, embora a intenção do seu famoso arquiteto Gian Lorenzo Bernini fosse criar um espaço acolhedor para os fiéis. A praça é composta por duas áreas distintas. A maior parte é elíptica e possui duas colunatas semi-circulares nas laterais – tratam-se de 284 colunas dispostas em 4 fileiras mais 88 pilastras cobertas por uma laje onde repousam 140 estátuas de santos. No centro, há um imenso obelisco egípcio e uma fonte cada lado dele. Com formato de trapézio e laterais fechadas, a outra área da praça abriga as estátuas de São Pedro e São Paulo e liga a primeira parte à escadaria da basílica.

Basílica de São Pedro

Em estilo renascentista, a Basílica de São Pedro segue a mesma imponência da praça. De longe, a belíssima fachada e a cúpula monumental chamam a atenção. Entretanto, é a riqueza de detalhes do seu interior que arrebata os visitantes. Do chão ao teto, tudo é impressionante. Entramos na igreja em torno de 11 horas e passamos cerca de uma hora apreciando suas inúmeras obras de arte. Porém, foi preciso paciência, pois estava realmente muito cheia. É possível ficar horas lá dentro, mas, para quem não tem muito tempo, uma visita expressa, como a nossa, é suficiente para ver os pontos principais. São eles: a Pietà, escultura de Michelangelo que retrata a Virgem Maria segurando o corpo de Cristo; a cúpula, obra de Michelangelo cuja parte interna é decorada com mosaicos retratando Cristo, santos, apóstolos e papas; o Baldaquino, uma espécie de dossel de 30 metros de altura que adorna o altar papal; a Estátua de São Pedro; a Cadeira de São Pedro; e a Capela de João Paulo II. Por falta de tempo e de disposição, não subimos os 550 degraus até o topo da cúpula – fazendo uma etapa de elevador, seriam “apenas” 320 degraus. Dizem que a vista é incrível.

Pietà, escultura de Michelangelo que retrata a Virgem Maria segurando o corpo de Cristo

Pietà, escultura de Michelangelo que retrata a Virgem Maria segurando o corpo de Cristo

A Basílica de São Pedro é a maior igreja católica do mundo. Muitos textos na internet dizem que ela comporta 60 mil pessoas, mas, segundo o site do Vaticano, a capacidade é 20 mil. Embora seja a principal igreja e sedie a maioria das cerimônias papais, ela não é a sede oficial do papado, mas sim a Basílica de São João de Latrão, localizada fora do Vaticano e tão deslumbrante quanto aquela.

Museus Vaticanos

Para ir da basílica aos museus, é preciso voltar para a praça, cruzar as colunas do lado esquerdo e ir contornando o muro da Cidade do Vaticano. São uns 10 minutos andando. Quando pegamos esse caminho, já passava de meio dia e tínhamos pouco mais de uma hora para almoçar, pois havíamos comprado o bilhete dos Museus Vaticanos para as 14 horas. Adquirir o ingresso antecipadamente pela internet é uma dica que vale a pena seguir, pois a fila da bilheteria também é quilométrica e pode demorar horas. Mesmo assim, dependendo do horário escolhido, a visita pode ser muito desgastante, como a nossa. É sério: nunca vi tanta gente espremida numa atração turística. Certamente existem muitos museus no mundo que recebem um número igual ou maior de pessoas do que este, mas acho difícil ter um lugar com uma concentração de visitantes tão grande.

Os Museus Vaticanos são um conjunto de pequenos museus interligados, instalados nos palácios que pertenceram a antigos Papas, cujos corredores e salas são muito apertados e abafados. E não dá pra ir direto aonde se pretende, no nosso caso (e da maioria da pessoas), as Salas de Rafael e a Capela Sistina – última atração do circuito. É necessário percorrer todo o percurso pré-determinado. Enfrentamos uma tumultuada caminhada até chegarmos aos nossos pontos de interesse. Sinceramente, não foi prazeroso. Passamos pelos espaços dos museus o mais rápido possível, sem prestar atenção na maioria das obras, torcendo para chegar logo onde queríamos para podermos ir embora respirar ar fresco.

Afrescos das Salas de Rafael, nos Museus Vaticanos

Afrescos das Salas de Rafael, nos Museus Vaticanos

Apesar de todo o desgaste, foi incrível poder olhar para aquelas preciosidades. Localizadas no Palácio Apostólico, as Salas de Rafael são os antigos aposentos privados do Papa Julio II (1503-1513), cujas paredes e teto exibem belos e encantadores afrescos renascentistas. O genial artista Rafael Sanzio projetou e iniciou o trabalho, mas faleceu antes de ficar pronto e a obra foi finalizada por seus discípulos. A Capela Sistina, que também fica no Palácio Apostólico, abriga algumas das obras mais importantes e impressionantes do mundo. Vários pintores italianos realizaram afrescos na capela como Perugino, Botticelli, Rafael e Michelangelo, criador do afresco do teto, a Genesis, e da parte de trás do altar, o Juízo Final. É um lugar único, capaz de deslumbrar o mais desavisado dos visitantes.

Foi a minha primeira visita ao Vaticano, portanto, não sei como é o movimento nos outros dias e horários, mas acredito que no início da manhã seja mais tranquilo. Numa próxima visita, pretendo chegar à basílica antes das 8 horas e comprar o bilhete dos museus para as 9 horas.

Informações práticas

Basílica
Visita gratuita. Áudio guia: 5 euros. Não é permitida a entrada com ombros e joelhos nus.
Aberta diariamente. Horários: 1º/10 – 31/03: 7h-18h30 e 1º/04 – 30/09: 7h-19h.

Cúpula
Ingresso: 7 euros (elevador + 320 degraus) e 5 euros (551 degraus).
Aberta diariamente. Horários: 1º/10 – 31/03: 8h-17h e 1º/04 – 30/09: 8h-18h.

Museus Vaticanos
Bilhete: 16 euros (reserva pela internet: + 4 euros).
Aberto de segunda a sábado: 9h-18h. Última admissão: 16h.
Saída das salas: meia hora antes da hora de encerramento.
Site oficial

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