Inhotim: um Brasil que merece ser conhecido

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Soube da existência do Instituto Inhotim pelo site Viaje na Viagem por acaso, enquanto pesquisava sobre outro destino anos atrás. Confesso que fiquei surpresa ao ler tantos elogios a respeito de um local cujo nome eu sequer havia ouvido antes. Porém, como a fonte tem muita credibilidade no meu coração viajante, imediatamente o incluí na minha lista mental de lugares para conhecer. A partir daí, li e ouvi outros relatos entusiasmados sobre esse instituto cultural, que hoje é considerado um dos destinos turísticos mais interessantes do país.

Palmeiras-azuis às margens do lado do eixo rosa

Palmeiras-azuis às margens do lago do eixo rosa

Localizado numa propriedade privada no município de Brumadinho, Minas Gerais, a 60 Km de Belo Horizonte, o Instituto Inhotim é um imenso jardim botânico permeado por galerias de arte contemporânea e esculturas ao ar livre. São 140 hectares de área de visitação, além de 145 hectares de reserva natural no domínio da Mata Atlântica. O espaço começou a ser idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz na década de 1980, mas, somente em 2006, a estrutura completa foi aberta ao grande público em dias regulares. Em 2008, foi reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) pelo Governo de Minas Gerais e, em 2009, pelo Governo Federal.

Galeria True Rouge, do artista Tunga

Galeria True Rouge, do artista Tunga

Minha experiência

Primeiro, preciso esclarecer alguns pontos. Gosto de ir a museus e exposições de arte. Acho importante conhecer minimamente a produção artística da nossa sociedade. Porém, não sou grande apreciadora de artes plásticas e sei pouco do assunto. Em contrapartida, adoro visitar parques e jardins e sempre fico deslumbrada com a natureza. Dito isso, posso afirmar: Inhotim é um dos lugares mais fascinantes que já visitei! Arrisco-me a dizer que a natureza exuberante é capaz de envolver até mesmo os visitantes mais indiferentes e que as obras de arte inusitadas expostas junto à paisagem natural conseguem atrair a atenção de todos que visitam o instituto.

Paisagem tropical do lago do eixo laranja

Paisagem tropical do lago do eixo laranja

Trata-se de um lugar único, que conserva um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica com espécies raras e de todos os continentes. A organização dos jardins teve a influência do famoso arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), amigo do proprietário do instituto, mas foi desenvolvida por vários profissionais ao longo dos anos, sempre integrando arte e natureza de forma harmônica.

À direita, o centenário Tamboril, árvore imensa localizada no pátio principal do eixo amarelo

À direita, o centenário Tamboril, árvore imensa localizada no pátio principal do eixo amarelo

A paisagem é composta por mais de 4.200 espécies de plantas vasculares (que possuem vasos condutores de seiva), a maior coleção em número de espécies de plantas vivas entre os jardins botânicos brasileiros. São aproximadamente 1.400 espécies de palmeiras e mais de 330 espécies de orquídeas, que infelizmente não estavam floridas em agosto, um dos muitos motivos para voltar. No meio de belos e abundantes jardins, o que mais me surpreendeu foi o Jardim Desértico, constituído de espécies de paisagens áridas do México. Além de ser um espetáculo para os olhos, o trabalho do instituto contribui para a educação ambiental, pesquisa científica e conservação de espécies.

Jardim Desértico, composto por paisagens áridas do México

Jardim Desértico, composto por paisagens áridas do México

No quesito das belezas produzidas pelo homem, destaco, primeiramente, a arquitetura das galerias. São atrações à parte aquelas construções inseridas no meio da natureza. Já o trabalho artístico que mais me cativou foi o da fotógrafa Claudia Andujar, que fez uma rica documentação da vida tradicional dos Yanomami e luta pelo direito desse povo a sua terra e cultura.

Galeria Claudia Andujar, fotografia documental da vida dos Yanomami

Galeria Claudia Andujar, fotografia documental da vida dos Yanomami

Para visitar todo o complexo, é preciso de tempo e disposição. O local é tão grande que é dividido em três eixos: rosa, amarelo e laranja, o maior deles. Dediquei somente um dia à visita – na verdade, apenas seis horas, das 11h às 17h30 – e foi insuficiente. Passei rapidamente por menos da metade das galerias e não aproveitei cada jardim quanto eu gostaria. Concordo com os que dizem que é necessário, pelo menos, dois dias para conhecer o parque, mas saibam que, mesmo assim, é preciso ser ágil. Para facilitar, há um serviço de transporte interno com carrinhos elétricos por rotas pré-determinadas (28 reais por pessoa) ou exclusivas (500 reais a diária do carrinho para 5 pessoas). Escolhi a primeira opção e garanto que vale muito a pena. Porém, não pense que isso elimina completamente a caminhada. No eixo amarelo, por exemplo, os carrinhos não circulam. Percorri 8 km a pé durante o passeio. Falo isso não para desanimar, mas para que você possa se preparar para aproveitar ao máximo a visita.

Galeria Doug Aitken, o som da terra

Galeria Doug Aitken, o som da terra

Também acho importante informar sobre a alimentação dentro do instituto. É proibida a entrada com alimentos e bebidas alcoólicas, bem como a realização de piqueniques. Para atender aos visitantes, há dois restaurantes, dois cafés e uma hamburgueria, onde almoçamos e única opção para comer no eixo laranja. O cardápio é bem sucinto, mas o lanche é bem gostoso. No trecho amarelo fica o sofisticado Restaurante Tamboril, que serve culinária internacional com opção de buffet livre por preço fixo e, no eixo rosa, está o Restaurante Oiticica, com sistema self-service.

Informações Práticas

Funcionamento
Terça a sexta-feira: 9h30 às 16h30
Sábado, domingo e feriado: 9h30 às 17h30

Ingresso
Terça, quinta, sexta, sábado, domingo e feriado: R$ 44,00 (inteira)
Quarta-feira (exceto feriado): entrada gratuita
Fechado às segundas-feiras.

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